terça-feira, 7 de julho de 2015

O cão do ferro-velho

A vida no ferro-velho não se resume à ferrugem.
Fico de vigia durante os finais de semana. É uma boa grana. Tem um adicional legal. E durmo na guarita.
A maioria fala que existem coisas mais interessantes pra se fazer. Eu não tenho.
Sou uma espécie de fodido, que escreve durante a semana, e que ganha algum dinheiro durante o final de semana. É isso mesmo.
E quando fico de vigia no ferro-velho, a minha única companhia é o Marujo. Ele curte jogar basquete.
Pra gente, a vida é mesmo muito simples.
Abro uma lata de cerveja, ligo o rádio no programa de música clássica, coloco uma cadeira de palha ao lado do portão e jogo a bola pra ele.
O Marujo corre pra lá e pra cá com ela, enquanto fico no sol com a esperança de me aquecer como preciso.
Eu, e o Marujo, a gente se entende.
Não sei se todo mundo pode ver o mesmo que eu, mas o que eu vejo: é que ele é um ser muito fácil de agradar.
Gosta que eu passe a mão em sua cabeça, e que acaricie o seu dorso.
Gosto do Marujo. Sem sombra de dúvida o melhor cão que já conheci.

Ele morreu há anos, mas ainda está no ferro-velho. E a única coisa que lamento: é não ter uma alma tão boa como a dele.
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