terça-feira, 14 de julho de 2015

Procurando a minha maluquez

Eu o vi através da vidraça de minha janela: era um homem que dançava embaixo de chuva e empunhava algo que se parecia com uma garrafa.
Achei que cantava ou falava sozinho, não sabia ao certo, por conta da distância e do barulho ensurdecedor provocado pelo maldito semáforo, que acumulava motores tensos a esperar pelo sinal verde, como cavalos no hipódromo, ansiosos pela largada.
E num primeiro momento, pensei que se tratava de uma alma sem qualquer senso.
Coberto por um imenso poncho puído: era difícil decifrar o seu instante.
Foi quando abri a janela e o chamei, pois senti algo que acho que posso chamar de empatia ou simpatia, não tenho certeza.
Imediatamente, ele me olhou e atravessou a rua por entre os carros até alcançar o meu portão.
Logo, ouvi que cantava Maluco Beleza, do inesquecível Raulzito, e o vi empunhar a sua garrafa de cachaça para além das grades.
Insistente, eu perguntei, “Precisa de algo?”, como se meu âmago pretensioso não aceitasse tudo que meus olhos e meu coração começavam a desvendar.
E a resposta foi melhor do que eu podia imaginar, “Viva o Rock, viva o Rock”, dizia sem parar.
Então eu me dei conta de que o único que precisava de ajuda era eu.
Pois o mundo não o fazia fraco ou triste.
Inexplicavelmente, ele me ganhou.
Pela sua coragem.
Sua alegria.
Seu desprendimento.
Ainda não sei exatamente o que foi.

Mas, tenho a mais absoluta confiança de que o suposto maluco ou desafortunado ainda carrega um coração quente e muito Rock em sua cabeça.
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