segunda-feira, 3 de agosto de 2015

'A Nascente', e todas as outras vertentes de Ayn Rand

Quando se termina a leitura de um livro, a qualidade daquele conteúdo absorvido vai determinar por quanto tempo aquelas palavras ecoaram na sua cabeça, e de que forma essa ressonância irá se desenvolver. Muitas vezes pode gerar uma indicação para os amigos, uma menção em suas redes sociais, uma simples resenha no seu blog, ou, se a experiência com a obra for realmente algo transcendental (nas raras ocasiões em que isso pode ocorrer), você quer ultrapassar limites e se jogar na biografia inteira deste autor. E é assim que eu defino este meu relato sobre a filosofa e escritora Ayn Rand. Uma figura emblemática que faz por merecer um lugar de honraria em nosso site.
Antes de embarcar em minhas recentes impressões pessoais sobre esta mulher incrível, acho conveniente colocar alguns pontos vitais da sua história. Os trechos abaixo foram extraídos do site Estudantes pela Liberdade, onde encontrei um guia completo sobre a vida e obra de Rand.

Ayn Rand nasceu em São Petersburgo, Rússia, em 1905, no seio de uma família judia de classe média. Sofreu todas as agruras impostas pela Revolução Bolchevique, tendo inclusive que fugir para a Criméia com a família após os bens que lhes pertenciam terem sido confiscados pelo governo comunista. Mesmo assim, formou-se em Filosofia e História. Em 1926, estimulada pelos pais que temiam por sua integridade física, emigrou para os Estados Unidos, onde conseguiu empregar-se como roteirista na indústria cinematográfica de Hollywood. Tornou-se escritora, tendo sua obras-primas sido lançadas na Broadway e no cinema. Dois de seus livros são best-sellers ainda hoje. Um deles, A Revolta de Atlas foi considerado o mais influente depois da Bíblia, segundo uma pesquisa do Congresso Americano. Criou uma escola filosófica completa e consistente com suas ideias, o Objetivismo, a qual chamou de uma filosofia para se viver na Terra. Faleceu em Nova Iorque, onde morava, em 1982, dois anos após ter-se tornado viúva de Frank O´Connor, ator cinematográfico, com o qual passou casada por mais de 50 anos.
Ela é fundamental por ter sido a única autora a defender de forma inequívoca e incontestável os direitos individuais. Embasa o direito à liberdade, à propriedade e à busca da felicidade puramente na realidade, ao defini-los como corolários da mais básica premissa que os suportam, a própria existência. A intelectual objetivista revigora e integra o pensamento aristotélico, dando-lhe forma e substância, justificando filosoficamente os princípios para que se possa viver plenamente num contexto social.
E se você puder ler apenas uma coisa de Ayn Rand antes de morrer, a minha sugestão é que seja a obra A Nascente (Editora Sextante, dois volumes). É provável que você escute por aí que A Revolta de Atlas seja uma obra mais completa, e eu não vou poder discordar já que eu ainda não li este livro (e claro que está na minha lista). Mas foi com a questão moral de A Nascente que eu conheci e me apaixonei pela filosofia objetivista de Ayn Rand. 
Em um cenário onde os valores sociais são um tanto nebulosos, ela constrói um enredo que acompanha a trajetória de um indivíduo talentoso que tenta alcançar os seus objetivos por entre um terreno inóspito de uma sociedade cuja cultura é cruelmente baseada na inveja da diferença.
A obra é um clássico que inspirou multidões e cunhou diversas expressões utilizadas até os dias atuais. Se você é o tipo de pessoa que costuma ler sublinhando os parágrafos que julga interessante em um livro, certifique-se de que tenha muita tinta em sua caneta.

A Nascente
Howard Roark é um jovem determinado que largou uma prestigiosa faculdade de arquitetura pouco antes de se formar e se recusa a seguir os padrões de uma sociedade que rejeita seu modo independente de pensar e agir. Decidido a não empregar seu talento para perpetuar estilos ultrapassados, ele prefere aceitar trabalhos mal remunerados, que demandam apenas força braçal. 
Neste polêmico romance, a célebre escritora Ayn Rand narra a história da luta de Roark, um homem de integridade inabalável, que enfrenta obstáculos como o desemprego, a ruína financeira e a humilhação pública, porém nunca abre mão de seus valores. 
Apesar da pressão social, profissional e financeira para que se adapte aos modelos estabelecidos, Roark luta para combater três tipos de indivíduos: os tradicionalistas, que, presos ao passado, não conseguem ver as inovações propostas pelo jovem visionário; os conformistas, que, incapazes de atender à própria vontade, aceitam passivamente as regras e os valores definidos por outras pessoas; e os parasitas, que rejeitam o herói autoconfiante, que vive para si próprio e não se deixa explorar por ninguém. 
Disposto a aceitar as responsabilidades e as consequências do pensamento independente, Roark observa os fatos e os julga sem levar em conta a opinião pública, pois não precisa da aprovação social. Ele é um individualista, confia nos próprios pensamentos para chegar a suas conclusões - e, justamente por isso, é um homem livre. 
Provavelmente mais atual hoje do que na década de 1940, quando foi publicado nos Estados Unidos, este livro apresenta uma das ideias mais desafiadoras já narradas em uma ficção: a de que o ego do homem é a nascente do progresso humano - a fonte de todas as suas realizações e conquistas.

E para falar sobre a Sra. Rand e suas ideias, ninguém melhor do que ela mesma. Abaixo separei alguns vídeos curtos com antigas entrevistas suas (com legenda), em que ela disserta sabiamente sobre assuntos como o feminismo, a era da inveja e o individualismo. Não é difícil encontrar outros vídeos mais completos com as suas convicções, e recomendo que tire uma tarde de folga para procurar e assistir todos eles. Antes de ler os livros dela, claro.
Definitivamente, o trabalho de Ayn Rand é do tipo que quem não leu provavelmente odeia, e quem leu certamente passou por uma experiência na vida. Rapidamente, e com apenas uma leitura, ela conquistou o status de uma das minhas autoras favoritas. E posso dizer que A Nascente é uma obra que ficará marcada em minha história como um artefato que praticamente legitimou toda a minha existência.
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