quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Grandes livros que não são exatamente sobre o que você escuta por aí

Grandes clássicos da fantasia e da ficção científica alcançaram este alto patamar por diversas razões diferentes. Cada um com a sua respectiva abordagem, contribuindo para o construção da cultura do seu próprio período no tempo. Talvez algumas dessas obras tenham previsto o nosso futuro com uma precisão assustadora, outras apenas fantasiam o caos para o qual caminhamos. Mas, na maioria das vezes, somos convidados a conhecer somente a camada mais leviana de uma história, fixando nossa atenção nos adereços construídos pelo autor e deixando escapar o verdadeiro foco do livro.
Abaixo você encontrará alguns exemplos de títulos conhecidos e bem comentados por aí, que não exatamente sobre o que todo mundo pensa.

✔ A Mão Esquerda da Escuridão, de Ursula K. Le Guin
Muitas vezes as pessoas descrevem este livro como um romance com grande 'destaque' para a sexualidade por causa da sua descrição sobre um planeta cujo habitantes não possuem o sexo definido, exceto quando estão em um determinado período que podemos traduzir como uma espécie de 'cio'. Mas quando você realmente lê o livro, percebe que o seu foco é voltado para os desentendimentos culturais, e como uma pessoa de fora pode julgar erradamente os conflitos de um relacionamento sem conhecer os fatos reais. E principalmente, é sobre a impossibilidade de compreender os conceitos mais simples de uma cultura desconhecida.

Sinopse: Genly Ai foi enviado a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal. Ao chegar no planeta Inverno, como é conhecido por aqueles que já vivenciaram seu clima gelado, o experiente emissário sente-se completamente despreparado para a situação que lhe aguardava. Os habitantes de Gethen fazem parte de uma cultura rica e quase medieval, estranhamente bela e mortalmente intrigante.
Nessa sociedade complexa, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido e, como resultado, não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta. Mas Genly é humano demais. A menos que consiga superar os preconceitos nele enraizados a respeito dos significados de feminino e masculino, ele corre o risco de destruir tanto sua missão quanto a si mesmo. (Editora Aleph)

✔ Fahrenheit 451, de Ray Bradbury
Na maioria das vezes este livro já nos chega descaracterizado, como sendo sobre a censura de um governo e o seu esforço para censurar a informação. Mas Ray Bradbury foi enfático ao dizer que a obra na verdade é sobre como outras mídias iriam, eventualmente, substituir os livros impressos e levar a leitura ao declínio. No livro, o governo só consegue iniciar o seu regime autoritário após a própria população se afastar dos livros em prol dos outros meios de comunicação. Embora Bradbury também esteja condenando a censura, ele está colocando a culpa nos próprios cidadãos que decidiram trocar o 'conhecimento' por outras 'distrações'.

Sinopse: Escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, Fahrenheit, 451 de Ray Bradubury, revolucionou a literatura com um texto que condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o cenário dos anos 1950, revelando sua apreensão numa sociedade opressiva e comandada pelo autoritarismo do mundo pós-guerra.
A singularidade da obra de Bradbury, se comparada a outras distopias, como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou 1984, de George Orwell, é perceber uma forma muito mais sutil de totalitarismo, uma que não se liga somente aos regimes que tomaram conta da Europa em meados do século passado. Trata-se da 'indústria cultural, a sociedade de consumo e seu corolário ético - a moral do senso comum', segundo as palavras do jornalista Manuel da Costa Pinto, que assina o prefácio da obra. Graças a esta percepção, Fahrenheit 451 continua uma narrativa atual, alvo de estudos e reflexões constantes. 
O livro descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos. (Editora Biblioteca Azul)

✔ Frankenstein de Mary Shelley
Este talvez seja o exemplo mais clássico. A imagem do monstro de Frankenstein na cultura pop é sempre a de um monstro horrível que mal é capaz de falar, quando na verdade ele era bem eloquente. Além disso, essa história não tem aldeões com tochas batendo nos portões do castelo de Frankenstein, e nenhum dos outros clichês que você espera. Frankenstein é um bom exemplo da capacidade que a cultura pop possui de te fazer pensar que você já leu um livro que mal conhece.

Sinopse: Escrito por Mary Shelley quando esta tinha 18 anos, Frankenstein conta a história do jovem e impetuoso Victor Frankenstein, que deixa família e amigos na Suíça e vai estudar na Alemanha. Sempre muito curioso sobre os mistérios da criação, ele não consegue se livrar de uma pergunta que o atormenta - de onde vem a vida? Após muitas tentativas, o Dr. Frankenstein acaba criando um ser semelhante aos homens. Ou nem tão semelhante assim, já que o que ele acaba inspirando é terror e medo. A história da criatura que foge ao controle do seu criador mostra as consequências da ambição desmedida e levanta discussões sobre os limites da pesquisa científica.
Brilhante história de horror, escrita com fervor quase alucinatório, Frankenstein representa um dos mais estranhos florescimentos da imaginação romântica. É um dos maiores clássicos de terror da literatura em todos os tempos, também imortalizado no cinema através de várias adaptações. (Lpm Editora)

✔ Crônicas de Duna, de Frank Herbert
Esta série é frequentemente descrita como sendo sobre política, drogas, o Oriente Médio, e diversas outras coisas. Mas, na verdade, ela é sobre os perigos da teocracia e os problemas enfrentados por um suposto messias, mesmo que ele tenha as melhores das intenções. Especialmente no segundo livro onde vemos a enorme igreja fundada por Paul torna-se uma entidade tirânica, e como ele se esforça para encontrar um fim para aquilo que criou.

Sinopse: A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de arrakis, o planeta deserto. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos.
Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos? Ao lado das trilogias fundação, de Isaac Asimov, e o senhor dos anéis, de J. R. R. Tolkien, duna é considerada uma das maiores obras de fantasia e ficção científica de todos os tempos. Um premiado best-seller já levado às telas de cinema pelas mãos do consagrado diretor David Lynch. (Editora Aleph)

✔ Guerra Mundial Z, de Max Brooks
Graças ao filme (e uma bela ajuda do título), muita gente é levada a acreditar que o livro se trata de uma mega luta contra zumbis. Irônico, neste cenário caótico Brooks quer destacar o quanto os homens são ingênuos em achar que podem se defender de pragas e criaturas alienígenas. Governos corruptos e com interesses eleitoreiros podem destruir qualquer Departamento de Defesa, ou conduzi-lo para o front errado. É uma grande visão em como a sociedade ainda tenta manter a sua mesquinharia mesmo quando lida com um evento devastador.

Sinopse: Com Guerra Mundial Z, o norte-americano Max Brooks, faz uma paródia dos guias de sobrevivência convencionais e expõe a paranoia coletiva que tomou conta do mundo, em especial dos Estados Unidos, na era Bush. No livro, que dá continuidade ao bem-sucedido "O Guia de Sobrevivência aos Zumbis", o autor adota um tom científico nas pretensas entrevistas que conduziu com os sobreviventes do ataque que quase extinguiu a humanidade. 
O narrador de Brooks é um integrante da comissão da ONU encarregado de elaborar o relatório sobre o assustador conflito que quase aniquilou o planeta. Da identificação do paciente zero, contaminado nas ruínas de Dachang, na China, até Mary Jô Miller, a arquiteta de elite que pode pagar para se proteger, passando pelo depoimento de um soldado da infantaria que lutou no conflito, nada escapa à verve do autor. 
Além de recorrer ao fantástico para traçar um painel das reações humanas diante de crises e tragédias inexplicáveis, Brooks tece comentários ácidos sobre temas diversos como o autoritarismo na China e na União Soviética; a falsificação de relatórios de inteligência por parte do governo dos Estados Unidos para justificar a invasão ao Iraque em 2003; o impacto social e ambiental de grandes empreendimentos como a represa de Três Gargantas, na China; a opressão imposta por regimes fundamentalistas, como o talibã no Afeganistão e o tráfico internacional de órgãos, envolvendo países como o Brasil. (Editora Rocco)

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