terça-feira, 17 de novembro de 2015

Eu costumo prestar atenção em meu relógio

Chuva, frio.
Correria, gente chegando, saindo.
Alguns indecisos no portão ou apenas interessados na proteção da Acácia, não sei ao certo.
Varrendo aqui, varrendo ali, pego o cesto de lixo e o esvazio.
Estou cansado.
Sigo com minha vassoura em mãos.
Entre um passo e outro, recolho um papel aqui, outro lá.
A cada movimento estou mais perto do portão.
E meu carrinho fica mais cheio a cada instante.
Olho meu relógio.
Os minutos são lentos como a própria eternidade.
“Há tempo pra tudo nessa vida”, penso.
E então o alarme de meu relógio desperta, são 18h cravadas.
É a minha deixa.
E tão logo bato o cadeado no portão, alguém grita, “senhor, senhor zelador, por favor, eu me atrasei, mas preciso acender uma vela e deixar essas flores”.
É a voz de um homem ofegante.
Fico um tanto quanto consternado, mas, mesmo assim, respondo a ele, “eu lamento, amigo, está atrasado, volte amanhã”, e antes de ouvir qualquer coisa, sumo por entre os túmulos e tomo meu caminho.
Sei que essa é uma atitude dura.
Mas é que eu tenho um encontro.

E quando me atraso, ela nunca me beija.
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O Dito pelo Maldito é um blog voltado para a literatura de contracultura . Seus textos são provocativos, críticos, cínicos e debochados, muitas vezes não tomando partido em uma questão apenas para poder agir como uma espécie de Advogado do Diabo do caso.
Na verdade um anti-blog criado para falar bem,...de tudo que você odeia.