sábado, 12 de dezembro de 2015

O drama da mente perturbada de um artista no lançamento de 'Melancolia'

Lars Hertervig é um jovem norueguês quaker de origem pobre. Graças à ajuda de um mecenas, estuda arte em Düsseldorf, na Alemanha, mas padece com terríveis inseguranças, obsessões sexuais e delírios incapacitantes.
Em uma prosa hipnótica, magnética, o dramaturgo e escritor norueguês Jon Fosse descreve em Melancolia um dia de crise e a sua repercussão anos mais tarde na vida do próprio Hertervig – e mais de um século depois na vida de um escritor inspirado pela obra do artista, que existiu de fato.

Retrato extraordinário da mente perturbada de um artista, o livro revela uma consciência assustadoramente frágil, mas capaz de apreender com grande sensibilidade a beleza e a luz que há no mundo.
Em Melancolia (Editora Tordesilhas), Jon Fosse ficcionaliza a vida do pintor de paisagens Lars Hertervig, que nasceu em Hattarvågen, na costa oeste da Noruega, em 1830, em uma família de agricultores quaker paupérrima. 
A despeito da pobreza, porém, Hertervigteve uma chance quando a família se mudou para a cidade e ele se tornou aprendiz de pintor. Graças ao ofício, ele descobriu uma paixão e começou a pintar tudo o que lhe caía nas mãos. Seu talento chamou a atenção de alguns comerciantes locais, que trataram de mandá-lo estudar arte na capital e depois em Düsseldorf, na Alemanha. Foi ali, em Düsseldorf, que LarsHertervig teve um colapso mental – e é nesse ponto que ele surge em Melancolia. 
Hertervig está prestes a encontrar seu professor, Hans Gude, que irá finalmente avaliar sua pintura. O leitor o descobre na cama, atormentado pelo medo e pela dúvida. O que o professor iria lhe dizer? Que era um mau pintor? Que era um bom pintor?À dúvida quanto ao próprio talento junta-se o enigma do amor de Helene, filha adolescente da viúva em cuja casa Hertervig aluga um quarto. Ela o ama. Ou será que não? Quem sabe Helene fugirá com ele. Mas talvez ela ame o tio. Ainda deitado na cama, Hertervig pensa. Ou delira. Três anos depois, ele está internado no manicômio de Gaustad. Mantém a fixação por Helene e o pensamento delirante, e está proibido de pintar. A obsessão sexual – esboçada no início da história no que ele imaginava ser a relação entre tio e sobrinha – intensifica-se.

Na segunda parte do livro, Jon Fosse oferece uma perspectiva diferente da saga de Lars Hertervig pelos olhos de sua irmã mais velha. Estamos agora em um dia de 1902, poucos meses depois da morte do artista. Oline é uma senhora já no final da vida. Cheia de dores e com dificuldade de controlar o próprio corpo, ela recorda a infância, o pai dominador e o irmão “diferente”. 
Comum fluxo de consciência ininterrupto, melancólico e pungente, que ganha vida pela linguagem repetitiva e hipnótica, Fosse explora com grande habilidade as regiões sombrias em que o talento e a loucura se encontram.
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O Dito pelo Maldito é um blog voltado para a literatura de contracultura . Seus textos são provocativos, críticos, cínicos e debochados, muitas vezes não tomando partido em uma questão apenas para poder agir como uma espécie de Advogado do Diabo do caso.
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