segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Dark House (Karina Halle)

Os elementos que marcam uma boa história de mistérios sobrenaturais podem impressionar pela sua incrível capacidade de mutação e adaptação. Diferente de outros gêneros que sofreram baixas em sua estrutura devido a inevitável inclusão da tecnologia em seus enredos, as tramas ditas 'sobrenaturais' souberam usar como ninguém este ingrediente a seu favor, chegando a salvar o gênero de terror no cinema, com filmes que usavam a televisão, computador, internet e outras modernidades como fonte do medo em seus roteiros. E na literatura, onde o papel aceita tudo, esse tipo de atualização pode ser praticamente ilimitada.
Esse efeito pode ser bem observado na obra 'Dark House' (Única Editora, 350 páginas), em que a autora Karina Halle consegue impressionar com uma narrativa que mescla a textura dos clássicos romances góticos, com as tonalidades que a linguagem contemporânea exige.

Além do mistério eminente no livro, a história contada ganha a atenção do leitor principalmente pela construção fascinante dos personagens. Começando pela própria protagonista Perry Palomino, que consegue ser extraordinária dentro da sua própria simplicidade como uma garota comum, e considerada invisível até mesmo dentro da própria família. Após uma sequência de sonhos estranhos sobre um antigo farol sombrio, que lhe parece muito familiar apesar dela nunca ter estado no lugar, ela começa a ser guiada incidentemente para a indicação de seus pesadelos.
Em uma viagem a costa do país, ela acaba finalmente se deparando com a tal estrutura abandonada por anos. Rodeado de segredos macabros, o Farol é o centro de uma série de lendas que envolvem naufrágios, um faroleiro sinistro e mortes terríveis.
Quando encontra o jovem Dex Foray, outro personagem descrito com uma profundidade surpreendente, ela enfim consegue estabelecer uma conexão com alguém, e os dois iniciam um projeto que se deve a uma web série de terror na internet, com o objetivo de desvendar o que ocorre naquele cenário assustador.
Em meio a esse contexto fantasmagórico, a dupla terá que lidar com algo que está muito além da sua compreensão.

Acredito que a forma quase lírica que a leitura transcorre se deve, em grande parte, pela tradução bem selecionada de Santiago Nazarian, que consegue deixar essa obra com uma carga emotiva similar a que recheia seus próprios trabalhos.
Trabalhando basicamente com o psicológico dos personagens, sem a necessidade de grandes pirotecnias, Karina Halle consegue nos dar uma obra competente dentro do gênero que se propõe a fazer, mesmo se utilizando de certos clichês como técnica de narrativa.

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O Dito pelo Maldito é um blog voltado para a literatura de contracultura . Seus textos são provocativos, críticos, cínicos e debochados, muitas vezes não tomando partido em uma questão apenas para poder agir como uma espécie de Advogado do Diabo do caso.
Na verdade um anti-blog criado para falar bem,...de tudo que você odeia.