sábado, 9 de janeiro de 2016

Mapas e esquemas gráficos da cena do crime em livros policiais

Como jogador de RPG, eu sempre nutri um fascínio natural por mapas, plantas e esquemas gráficos que pudessem ilustrar a cartografia de uma história. Algo que era bem comum de ser encontrado em obras literárias do início do século passado, e que caiu em desuso nos tempos modernos. A prática utilizada principalmente em livros de mistério da época, tinha como principal função ajudar o leitor a visualizar mentalmente os passos de cada personagem no cenário relacionado.
Muitos autores de thrillers policiais empregaram esta técnica em suas obras, e, apesar de esquecida hoje em dia, tentamos reunir aqui alguns exemplos desses mapas:

O Mistério do Quarto Amarelo, de Gaston Leroux
O escritor mais notável por mesclar mapas em seus textos é Gaston Leroux, começando logo pela sua primeira obra, O Mistério do Quarto Amarelo, datado em 1908. O próprio narrador quebra a quarta parede ao apresentar ao leitor o diagrama do piso térreo da cena do crime de seu enredo, onde destaca o quarto amarelo citado no título do livro.
Com isso, você é desafiado a participar do processo de resolução do enigma contido na história e não apenas acompanhar a psique dos personagens. Além de ficar ainda mais emocionante de seguir a trama através de um mapa.

O Misterioso Caso de Styles, de Agatha Christie
A Dama do Crime fez uso de plantas na primeira aparição do seu protagonista Hercule Poirot, em O Misterioso Caso de Styles. A história envolve um envenenamento em uma luxuosa mansão, com diversos suspeitos com fortes motivos para desejar a morte da vítima e colocar as mãos em sua fortuna.
Um dos mapas utilizados na história mostra o segundo andar da mansão com cada quarto devidamente rotulado, incluindo o ambiente onde o crime é cometido. Pelo esboço, o leitor também pode ver quais personagens tiveram acesso à cena do crime através da indicação de três portas indicadas na sala.

Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie
Essa é uma outra obra de Christie que usa um diagrama para representar a história, desta vez usado para ilustrar o layout de um vagão de trem que está preso em meio a uma tempestade de neve. Este é um detalhe importante, já que significa que o culpado não tem qualquer chance de escapar do trem sem deixar rastros na neve. O segredo para esse mistério não é apenas a acessibilidade do compartimento da vítima, mas também as várias testemunhas que podem ter visto e ouvido movimento e agitação no ambiente devido ao espaço apertado.

Nuvens de Testemunhas, de Dorothy L. Sayers
Outra grande autora de mistérios que adorava usar diversos detalhes extras na estrutura da sua narrativa foi Dorothy L. Sayers. Em Nuvens de Testemunhas ela usa um diagrama de dois andares de um alojamento de caça para abrilhantar o seu quebra-cabeça. Como em o 'Assassinato no Expresso do Oriente', o enredo se baseia em um assassinato cercado por diversas testemunhas não confiáveis.

O Nome da Rosa, de Umberto Eco
A obra icônica de Umberto Eco é um romance pós-moderno sobrecarregado de passagens inspiradas no gênero de mistério, por isso ela também apresenta um conjunto complexo de mapas e diagramas da cena do crime. A primeira imagem mostra a orientação de uma abadia do século 14, localizada nas montanhas do norte da Itália. E este mapa é essencial para o enredo complicado de Eco.

Infelizmente é quase impossível encontrar uma obra contemporânea que fomente esta conduta. Esta prática provinha de uma linha do gênero que orgulhavam-se em ceder todas as pistas relevantes do mistério para o leitor, e deixavam que eles perdessem algum tempo raciocinando sobre os diagramas para que pudessem criar suas próprias teorias sobre a questão.
Você conhece algum outro exemplo de diagramas de cenas de crime que gostaria de destacar? Diga em nossos comentários. Seria muito bom conhecer autores recentes que ainda sigam esta venerável tradição literária.

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