quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

7 Livros que podem ajudar a geração de 80 a lidar com os 30 anos

A famigerada 'Crise dos 30' pode ser uma fase assustadora para algumas pessoas. Um momento de transição delicado em que não podemos mais justificar certas falhas pela falta de experiência de vida, ao mesmo tempo em que percebemos que ainda não sabemos metade do que deveríamos mesmo carregando três décadas de existência nas costas.
Para aqueles nascidos durante os anos 80, cabe a difícil missão de lidar com um constante museu de grandes novidades. Assistimos o surgimento e o fim de tantas 'tendências', que muitas vezes nem mesmo temos tempo hábil para aprendermos a lidar com a maioria delas, mesmo acreditando no embuste de que já nascemos sabendo apertar os botões certos dessa era digital. Acompanhamos a internet nascer, apenas para logo em seguida perceber que ela nunca iria realmente nos pertencer.
Para te orientar em como, e se vale mesmo a pena, passar o bastão para as duas gerações posteriores ao mesmo tempo em que se é impelido à assumir os dramas da anterior, aqui estão alguns livros que podem ajudar os filhos da década de 80 a olharem pra trás com a sabedoria da pouca idade, mas mantendo os olhos fixos no futuro com a sagacidade da juventude. E assim podermos navegar com mais tranquilidade até a próxima etapa da vida.

 Tudo que você não soube, de Fernanda Young
Neste romance, Fernanda Young troca o humor ácido por um tom amargurado para contar, em primeira pessoa, a história de uma mulher sem nome que escreve ao pai moribundo, com quem não fala há anos. Tudo que você não soube traz o conteúdo dessa longa carta, na qual a personagem faz um resumo detalhado da sua vida, dividida entre o desejo de chamar a atenção do homem que a colocou no mundo e a vontade de chocá-lo com suas revelações. 
Em uma narrativa sem ordem cronológica, a protagonista traça um parâmetro entre seus traumas de infância e a mulher que se tornou: sóbria, dissimulada e imersa em um poço de desamparo e solidão, embora as aparências mostrem alguém que leva uma vida normal. Na maior parte do tempo, ela tem uma rotina de luxo ao lado do marido e dos filhos, mas, durante as madrugadas, se dedica a examinar o passado e mexer em feridas ainda abertas (Editora Ediouro).

 A Nascente, de Ayn Rand
Howard Roark é um jovem determinado que largou uma prestigiosa faculdade de arquitetura pouco antes de se formar e se recusa a seguir os padrões de uma sociedade que rejeita seu modo independente de pensar e agir. Decidido a não empregar seu talento para perpetuar estilos ultrapassados, ele prefere aceitar trabalhos mal remunerados, que demandam apenas força braçal. 
Neste polêmico romance, a célebre escritora Ayn Rand narra a história da luta de Roark, um homem de integridade inabalável, que enfrenta obstáculos como o desemprego, a ruína financeira e a humilhação pública, porém nunca abre mão de seus valores. 
Apesar da pressão social, profissional e financeira para que se adapte aos modelos estabelecidos, Roark luta para combater três tipos de indivíduos: os tradicionalistas, que, presos ao passado, não conseguem ver as inovações propostas pelo jovem visionário; os conformistas, que, incapazes de atender à própria vontade, aceitam passivamente as regras e os valores definidos por outras pessoas; e os parasitas, que rejeitam o herói autoconfiante, que vive para si próprio e não se deixa explorar por ninguém. 
Disposto a aceitar as responsabilidades e as consequências do pensamento independente, Roark observa os fatos e os julga sem levar em conta a opinião pública, pois não precisa da aprovação social. Ele é um individualista, confia nos próprios pensamentos para chegar a suas conclusões - e, justamente por isso, é um homem livre. 
Provavelmente mais atual hoje do que na década de 1940, quando foi publicado nos Estados Unidos, este livro apresenta uma das ideias mais desafiadoras já narradas em uma ficção: a de que o ego do homem é a nascente do progresso humano - a fonte de todas as suas realizações e conquistas. (Editora Arqueiro)

✔ Mastigando Humanos, de Santiago Nazarian
Um jacaré aspirante a escritor narra a sua trajetória de vida. Em um motel de São Paulo, diante de um laptop roubado, relembra o caminho que o levou de rastejante de calmos rios na natureza pacata até professor de Racionalidades na universidade, passando por galerias subterrâneas dos esgotos da cidade.
Enquanto resgata episódios com personagens tais como um barril chamado Santana, por quem se apaixona; uma vendedora de yakissoba de sapatos de pele de crocodilo, que devora; um esquilo com pretensões a governante do submundo paulista movido a subornos e tráfico de todo tipo de objetos, o réptil observa com todo o seu sangue frio os hábitos humanos, criticando-os com um humor repleto de acidez. (Editora Record)

 Como Fazer Inimigos e Alienar Pessoas, de Toby Young
Em 1995, aos 32 anos, o jornalista inglês Toby Young trocou Londres por Nova York para trabalhar como repórter numa das mais influentes e glamourosas revistas da atualidade, a Vanity Fair. Outros ingleses foram bem-sucedidos em desafios semelhantes - Alistair Cooke, Tina Brown, Anna Wintour -, por que não ele? 
Contudo, as coisas não saíram exatamente como planejadas. Num espaço de dois anos, Toby foi demitido da Vanity Fair, expulso do bar mais 'in' da Big Apple e, além disso, não conseguia um encontro há tempos - nem pagando. 
Como Fazer Inimigos e Alienar Pessoas é a divertida - e verídica - história dos cinco anos que Toby passou em Nova York, procurando o amor nos lugares mais errados possíveis, convivendo com o círculo de celebridades da mais famosa cidade do mundo, circulando pelos bares da moda - sem conseguir chegar à área VIP - e trabalhando sem parar rumo ao fundo do poço, descendo de editor de uma revista elegante a piloto de teste de brinquedos eróticos. 
Ao voltar para Londres, descobriu ter visto algo muito além do que é retratado nas revistas e na TV: uma luta suja pelo poder e pelo status na qual vale tudo para subir na vida e aparecer na mídia. Decidiu então escrever suas experiências, contando todos os detalhes e descobertas de seus anos em Nova York. Um relato que não poupa jornalistas, celebridades, divulgadores e todos os envolvidos na indústria dos 'mitos' da atualidade. (Editora Record)

 A Mulher De Trinta Anos, de Honoré de Balzac
Um pai explorado pelas filhas, um jovem ambicioso e a sociedade parisiense do século XIX são o centro deste romance À moda de Rei Lear, quando Shakespeare retratou duas filhas que abandonaram o pai depois de dividida a herança, Balzac criou a figura deste comerciante decadente, que ama as filhas de modo incondicional e assiste apático sua fortuna sendo consumida pelos caprichos de sua prole. 
Figura igualmente central do romance é o estudante de direito Eugène de Rastignac, que deseja de todo modo inserir-se na alta sociedade parisiense e para isso abandona, aos poucos, os padrões morais para atingir seu objetivo. Balzac apresenta ao leitor as várias facetas de uma sociedade cruel, de moral elástica e dividida entre as regras de um passado regido pela nobreza e a nova ordem social em que o dinheiro é o protagonista. (Editora Penguin Companhia)

 Mundo adentro vida afora, de Antonio Bivar
As décadas eram as de 60 e 70. No mundo inteiro, viviam-se tempos de Flower Power, Guerra do Vietnã, contracultura, Maio de 68, revolução sexual e as experiências psicodé­licas com o LSD. No Brasil, eram tempos de ditadura, luta armada e repressão. Com esse pano de fundo, um grupo de jovens, inspirados pelo espírito combativo da época, des­pontava no teatro brasileiro com o que seria chamado de Nova Dramaturgia. Entre eles, Antonio Bivar, que escreveu algumas das mais emblemáticas e premiadas peças do moderno repertório teatral brasileiro. 
Em Mundo adentro vida afora: autobiografia do berço aos trinta, Bivar revisita a infância no pacato interior de São Paulo nos anos 40, a adolescência passada nos anos 50, a juven­tude nos turbulentos e interessantes anos 60 até o raiar da década de 70 – com o distanciamento do tempo, mas com a proximidade de quem compartilha suas memórias com o coração aberto. (Editora L&PM)

 On The Road, de Jack Kerouac
Como o gemido lancinante e dolorido de “Uivo”, de Allen Ginsberg, o brado irreverente e drogado de “Almoço Nu”, de William Burroughs, ou a lírica emocionada e emocionante de Lawrence Ferlinghetti, “On the Road” escancarou ao mundo o lado sombrio do sonho americano. A partir da trip de dois jovens – Sal Paradise e Dean Moriarty –, de Paterson, New Jersey, até a costa oeste dos Estados Unidos, atravessando literalmente o país inteiro a partir da lendária Rota 66, Jack Kerouac inaugurou uma nova forma de narrar.
Em abril de 1951, entorpecido por benzedrina e café, inspirado pelo jazz, Kerouac escreveu em três semanas a primeira versão do que viria a ser “On the Road”. Uma prosa espontânea, como ele mesmo chamava: uma técnica parecida com a do fluxo de consciência. Mas o manuscrito foi rejeitado por diversos editores e o livro foi publicado somente em 1957, após alterações exigidas pelos editores.
A obra-prima de Kerouac foi escrita fundindo ação, emoção, sonho, reflexão e ambiente. Nesta nova literatura, o autor procurou captar a sonoridade das ruas, das planícies e das estradas americanas para criar um livro que transformaria milhares de cabeças, influenciando definitivamente todos os movimentos de vanguarda, do be bop ao rock, o pop, os hippies, o movimento punk e tudo o mais que sacudiu a arte e o comportamento da juventude na segunda metade do século XX (Editora L&PM).

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