quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A Maldição do Cinema - O Segredo da Rua Ormes

O Segredo da Rua Ormes – (5150 (Rue des Ormes))

Diretor: Éric Tessier
Roteiro: Patrick Senécal
Atores: Marc-André Grondin, Normand D'Amour, Sonia Vachon
País: Canadá
Ano: 2009
           
O jovem e inexpressivo Yannick se muda após ser aprovado na faculdade de cinema. Sem nenhum entusiasmo de seus pais, apoiado unicamente pela namorada, inicia essa nova fase de sua vida; Duas semanas depois, andando de bicicleta como normalmente fazia, ao se desviar de um gato, perde o controle e termina indo ao chão, ralando uma das mãos e o cotovelo. Apesar de nada sério, decide pegar um táxi que está estacionado na casa ao lado, porém seu dono está de folga e, quando pede para usar o telefone, o senhor pede para que espere pois ele ligará. Eis que ele adentra na casa e vai até a cozinha para lavar os ferimentos quando escuta um pedido de socorro. Ao subir as escadas, um homem encontra-se preso num quarto sem janela. O rapaz de bom coração e um tanto quanto imbecil/ingênuo torna-se seu mais novo prisioneiro.

É muito interessante como todos os personagens deste claustrofóbico filme crescem ao decorrer. E todos, sem exceção, surpreendem.
Yannick, preso, é obrigado a amadurecer, enfrentando o desconhecido e jogando, por todo o tempo com as peças que compõe aquela estranha, porém aparentemente normal, família.
Jacques, o pai, acredita ser algo semelhante a um justiceiro, executando por conta própria toda as pessoas que ele considera injustas, como pedófilos, vendedores de drogas e similares. Sua filha, Michelle, é uma desesperada pela atenção do pai e aceita, até onde consegue, seguir seus passos unicamente por aprovação. A esposa, Maude, submissa e desesperada, acreditando piamente que Deus mudará as coisas em sua vida, e a filha mais nova, Anne, que tem algum tipo de autismo.
A partir daí, dia após dia a presença de Yannick começa a desestrurar a família de Jacques, despertando os demônios que cada um, à sua maneira, tenta sufocar. O que transforma a situação para todos em algo muito pior. Inocência e crueldade andam lado a lado e sofrem igualmente por seus atos. Os papéis, em alguns momentos, chegam a quase serem trocados, devido ao desespero interno de seus protagonistas. Até o momento em que, após determinado acontecimento, o que resulta em decepção, os papéis começam a ser realmente trocados e pouco a pouco todos vão percebendo isso. Descontrole, raiva e dor regem das mais variadas formas cada componente daquele jogo. Como num tabuleiro de xadrez, cada um tem sua determinada função e, por mais que tentem, não percorrem outro caminho que não seja o permitido pelas regras. Um filme com poucos personagens, porém todos necessários e interessantes. Atenção às questões familiares do rapaz apresentadas nos momentos certos em forma de alucinação, à estética que acrescenta e muito no filme e à irmã mais nova, com sua participação impactante e sem exageros. A sutileza com que ela apresenta questões e sua relação com o pai é de grande impacto. Através da sutileza está o impacto.

A violência inserida no filme e suas razões chegam a enlouquecer o espectador devido à forma doentia com que é aplicada e evitada.
Os efeitos são um grande momento para traduzir em imagens as metáforas de determinados momentos. A transposição/mudança de lugar de acordo com os acontecimentos. Aliás, as metáforas usadas na obra são um tanto quanto significativas. Todos os detalhes significam algo, o que torna tudo mais equilibrado e nem um pouco suave.
A figura paterna é ativada como um próximo passo para sobreviver. A partir daí, o subconsciente de Yannick passa a agir movido pelo instinto de sobrevivência. Seu único foco é sobreviver e, uma vez guiado por ele, passa a entender que existe muito mais dentro dele do que o mínimo até então apresentado.
Claustrofóbico, doente e cru, 5150 merece ser apreciado com atenção por todos aqueles que amam cinema. Especialmente um terror inesquecível.  Não é um filme para se divertir com amigos ou levar sustos leves e despretensiosos. Tem que ter estômago, e coração, fortes, para aguentar. Sua violência está nos porquês, nos questionamentos internos. A ação final acaba sendo quase menor do que tudo que leva até ela, por mais impactante que seja. Imperdível.
O final pode decepcionar alguns, pois seu clima é quase uma quebra no que foi apresentado. E isso é ruim? Neste caso, não.
E qual o pensamento que tirei sobre?
Qualquer um pode ser ruim ou louco.

Você confere o trailer aqui:
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