quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Autores famosos que odeiam o próprio legado que deixaram

Apesar da conhecida premissa de que todo criador ama a sua própria criação, com uma pesquisa mais profunda descobrimos que um número surpreendente de autores estranhamente odeiam a única coisa pela qual foram lembrados e imortalizados. Arthur Conan Doyle, por exemplo, foi tão atormentado pelo sucesso do seu detetive Sherlock Holmes, que o escritor ficou violentamente tentado a matar o personagem em 1893, apenas para trazê-lo de volta à vida uma década mais tarde para concluir novos mistérios.
Expandindo este conceito para outras referências da cultura pop, relacionamos aqui outros grandes autores que simplesmente não gostavam de suas obras mais famosas.

Tubarão, de Peter Benchley
O autor do clássico Tubarão, Peter Benchley, lamentou publicamente o impacto causado pela a adaptação cinematográfica do seu livro, que acabou gerando um pânico generalizado nas pessoas a respeito desse animal, e abrindo precedência para a caça predatória da espécie. O autor então passou a dedicar a sua carreira a proteção dos tubarões, inclusive escrevendo livros de não-ficção para tentar desmistificar o mito que ele mesmo ajudou a disseminar.

Tubarão foi o filme que mudou o cinema para sempre. Foi o filme que lançou o conceito de arrasa-quarteirão de verão e transformou um ex-diretor de televisão, Steven Spielberg, em um dos mais famosos cineastas do mundo. O filme de maior bilheteria da história, na época de seu lançamento, Tubarão foi o primeiro filme do tipo ‘high-concept’, que é um filme cuja história pode ser facilmente descrita em poucas palavras ou em uma simples imagem. Sempre imitado, Tubarão tornou-se o padrão para todo arrasa-quarteirão que veio depois. E permanece um dos maiores filmes de todos os tempos. Chegou a hora de conhecer sua origem.
Você não está vendo, mas ele está lá no fundo, observando suas pernas se mexerem nas águas turvas. A mais perfeita máquina assassina da natureza, o predador que mantém seu posto no topo da cadeia alimentar desde a época dos dinossauros. Um torpedo de carne, ossos e dentes. Não há para onde fugir. Se você sempre devorou livros, chegou a hora da revanche.
O impacto dessa obra pop foi tão violento, que gerações passaram a pensar duas vezes antes de cair no mar. O resultado, além das intermináveis semanas do tubarão na TV a cabo, foi a perseguição desenfreada a esses peixes de dentes afiados. Benchley se tornou um ativista contra a matança indiscriminada dos tubarões (DarkSide Books).

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess
Burgess escreveu o seu romance distópico em apenas três semanas de 1962. Era uma obra recheada de sexo e violência, escrita exclusivamente pelo dinheiro, que terminava com o protagonista se arrependendo das suas escolhas no capítulo final. A editora americana resolveu cortar o capítulo final para manter um fim mais 'realista', e foi nesse que Stanley Kubrick baseou a sua adaptação para o cinema. Burgess odiava a única obra pelo qual ele era reconhecido, e dizia que o filme tornou fácil para os leitores não entenderem do que realmente o livro se tratava. E que aquele mal-entendido iria persegui-lo até o dia de sua morte.

Clássico eterno da ficção inglesa, Laranja Mecânica é um verdadeiro marco na história da cultura pop e da literatura distópica, fascinando e desconcertando leitores desde seu lançamento, em 1962. 
A história de Alex, membro de uma violenta gangue de adolescentes que sai às ruas buscando divertimento de uma maneira um tanto controversa, incita profundas reflexões sobre temas atemporais, como o conceito de liberdade, a violência - seja ela social, física ou psicológica - e os limites da relação entre o Estado e o indivíduo.
O romance foi inspirado em um fato real ocorrido em 1944: o estupro, por quatro soldados estadunidenses, da primeira mulher do autor, Lynne (Editora Aleph).

A Morte do Pai, de Karl Ove Knausgård
A série best-seller intitulada Minha Luta, pode configurar a consagração do escritor Karl Ove Knausgård na literatura, mas também trás alguns sentimentos controversos para ele. Segundo o autor, seus livros autobiográficos arruinaram seu relacionamento com amigos e familiares que se identificaram com as histórias de vida descritas nas páginas da sua obra. Hoje ele vive em uma aldeia remota da Suécia com a esposa e os filhos, e tenta se manter o mais distante poss´vel da fama, amigos ou parentes.

No primeiro volume da prestigiosa série que lhe rendeu fama mundial, Karl Ove Knausgård investiga sua própria juventude. Uma noite de ano-novo e rebeldia, regada a cervejas vedadas aos menores, um amasso nauseante na primeira namorada, um show fracassado com a banda de punk no shopping center - em A morte do pai, primeiro romance da série autobiográfica Minha Luta, Karl Ove Knausgård se concentra em narrar os anos de sua juventude. 
Ao embarcar numa investigação proustiana e incansável do próprio passado, o narrador busca reconstruir, sobretudo, a trajetória do pai, figura distante e insondável que entra em declínio e leva o núcleo familiar à ruína. Honesto e sensível, Knausgård investiga também o próprio presente: aos 39 anos, pai de três filhos, ele deve se ajustar à rotina em família, trocar fraldas e apartar brigas, tudo isso enquanto tenta escrever seu novo romance, numa luta diária. 
Com A morte do pai, Knausgård inaugura um projeto monumental e ambicioso, que logo se tornou best-seller na Noruega e fenômeno literário internacional. São seis volumes híbridos entre a ficção e a memória, em que o autor explora, com pleno domínio da atividade narrativa, as possibilidades da ficção contemporânea (Companhia das Letras).

Watchmen, de Alan Moore
A Bibliografia de Alan Moore contém uma lista impressionante graphic novels que influenciaram a cultura pop. sua obra é tão admirada, que Hollywood continua tentando adaptá-las para o cinema, mesmo que Moore jogue pedras na tela sempre que assiste um filme baseado em seu trabalho. em sua defesa ele alega odiar o cinema moderno por ele ter o efeito de diluir a nossa imaginação coletiva cultural (seja lá o que for isso). Ele vai ainda mais longe dizendo que essas produções nos deixam como pássaros recém nascidos olhando para cima com a boca aberta, à espera de Hollywood para nos alimentar de vermes regurgitados.

Watchmen é uma revolucionária — e extremamente foda — série em quadrinhos escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. Foi publicada originalmente em doze edições mensais, entre os anos de 1986 e 1987.

A sombria e inigualável trama tem início com ilusões paranóicas do supostamente insano herói Rorschach, um dos vigilantes que patrulhavam os EUA décadas atrás. Mas ele estaria realmente insano, ou na verdade teria descoberto uma sórdida conspiração para assassinar super-heróis? 
Fugindo da lei, Rorschach junta-se a ex-companheiros do passado em uma desesperada tentativa de salvar suas próprias vidas, mas o que descobrem poderá alterar o próprio destino do planeta Terra! (Panini)


A Metamorfose, de Franz Kafka
Ao longo de seu diário pessoal e diferentes correspondências, Franz Kafka expressou claramente seu desgosto por seu próprio trabalho, incluindo A Metamorfose . Ele odiava tanto alguns dos seus escritos, que em seu leito de morte pediu ao seu melhor amigo Max Brod para queimar todos os seus trabalhos inéditos , incluindo seus diários reveladores. Felizmente, para várias gerações vndouras de leitores, os últimos desejos de Kafka foram ignorados e seu trabalho e diários foram publicados.

Escritor tcheco, Franz Kafka teve uma vida breve em função da tuberculose. Sua obra literária é marcada essencialmente por romances e contos que destacam o homem angustiado, obrigado a levar uma vida aprisionada; o homem desesperado em relação à própria existência. Esta atmosfera é representada em A Metamorfose com um tom realista surpreendente.
Publicado originalmente em 1915, este livro é o mais conhecido, estudado e citado do autor. A história é protagonizada pelo jovem Gregor Samsa, que trabalha como caixeiro-viajante e sustenta as despesas da família. Gregor acorda certa manhã transformado em um monstruoso inseto. Inicialmente, a principal preocupação dele é como lidar com seu novo corpo metamorfoseado. Depois, porém, precisará enfrentar a repulsa e o medo, representando o que há de mais trágico na condição humana. (Editora BestBolso)


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O Dito pelo Maldito é um blog voltado para a literatura de contracultura . Seus textos são provocativos, críticos, cínicos e debochados, muitas vezes não tomando partido em uma questão apenas para poder agir como uma espécie de Advogado do Diabo do caso.
Na verdade um anti-blog criado para falar bem,...de tudo que você odeia.