sábado, 20 de fevereiro de 2016

Livros de Guerra que todo homem deveria ler (parte III)

Embora a guerra seja um evento já fora de moda, a arte de guerrear é um assunto que sempre terá espaço nas prateleiras de qualquer leitor. Seja na forma de batalhas épicas ou atuando sutilmente em meio a um romance desmembrado,  o 'conflito' em si, é um ingrediente que nunca pode faltar para o bom desenvolvimento de uma história.
A guerra é capaz de trazer a tona o que há de melhor, e de pior, no ser humano. E talvez seja exatamente o que torna o tema tão apaixonante para alguns.
Permitindo ser analisada de diversas formas e ângulos diferentes, a guerra já foi cenário para enredos que tentaram atingir o público de todas as formas possíveis, seja como peça de propaganda, ato de revanchismo, alvo de esperança, ou até palco para algum romance barato. Tanto que as suas diversidades já nos permitiram produzir duas listas anteriores exaltando suas facetas (confira aqui a parte 1, e aqui a parte 2). E como o escritor e ex-soldado da Segunda Guerra, Sven Hassel, considerado hoje o maior autor de livros de guerra do mundo, costumava afirmar em sua obra que "a guerra é o recurso explorado por políticos incompetentes",...Me parece que ainda veremos muitas delas por aí.
Sendo assim, chegamos a terceira lista de sugestões desse tema fascinante que instintivamente faz parte da formação de qualquer macho da espécie.

 A Legião dos Condenados, de Sven Hassel
Este é um livro sobre a guerra que não faz apologia a ela. É também um livro sobre o nazismo e o comunismo que não faz apologia a nenhuma dessas ideologias. É, enfim, um livro sobre um soldado e o caminho que ele traçou durante a Segunda Guerra Mundial, até hoje o maior combate da história da humanidade. A Legião dos Condenados permite que Sven Hassel mostre os horrores que ocorreram durante o período de treinamento dos soldados dos batalhões disciplinares, seguindo até o combate no front russo da guerra. Sven conta como foi a cumplicidade entre seus companheiros - Velho, Joseph Porta, Miúdo, Plutão e Stege, entre outros - que o acompanharam em diversas situações onde a camaradagem foi mais importante do que qualquer treinamento que tenham recebido.
A obra antiguerra de Hassel retrata o soldado comum, nos mostrando o outro lado da medalha. Estes soldados não são os homens que provocam as guerras, mas são usados ​​como peões forçado a lutar. As narrativas são baseadas não apenas na própria luta do autor, mas também incorporar elementos de ficção e enredos acentuados com um senso de humor espirituoso. Suas esperanças são para alertar as gerações mais jovens contra as atrocidades da guerra, sublinhando que a guerra é o último recurso explorado por políticos falhos.(Editora Labareda)

 33 Estratégias de Guerra, de Robert Greene
As 33 estratégias aqui propostas estão divididas em cinco partes, cada uma abordando um tipo de guerra - autodirigida, organizacional, defensiva, ofensiva e suja (não convencional) - em páginas repletas de citações de filósofos, literatos, pensadores, políticos e artistas. Algumas surpreendem, como a do pintor Salvador Dalí, cujo talento artístico era tão grande quanto sua capacidade de autopromoção. Dalí recomendava a destruição dos que têm "mais afinidade com você, se você decidir travar uma guerra pelo triunfo de sua individualidade".
Robert Greene passeia por diferentes épocas históricas, passando da Antiguidade para o passado recente, ao comparar táticas militares com posicionamentos políticos, como o filósofo grego Xenofonte e a ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher. Alguns dos pontos que levanta, como a necessidade de reconhecer os inimigos dentro da própria equipe de trabalho, parecem, à primeira vista, ir de encontro às regras de gestão. No entanto, Greene recorda numerosos fracassos políticos ocorridos quando existe polarização na liderança. 
O livro exalta figuras como Gengis Khan, Alexandre da Macedônia, Napoleão Bonaparte, Lorde Nelson, T.E. Lawrence, sem esquecer-se do pensamento lógico de Homero e Nietzsche. Afinal, a arte do comando, para Robert Greene, requer mais do que destreza em combate e no manejo das armas, sendo um exercício contínuo de observação, pesquisa e autoconhecimento. (Editora Rocco)

 Guerra Aérea e Literatura, de W.G. Sebald
W.G. Sebald, mais conhecido por seus romances que mesclam de maneira singular a ficção e a memória histórica, esmiúça um tema tabu nesse ensaio polêmico: a dificuldade dos escritores alemães do pós-guerra em lidar com a destruição das cidades do antigo Reich. 
As centenas de milhares de vítimas civis, os órfãos sem rumo, as cidades reduzidas a escombros, as legiões de desabrigados vagando pelas estradas, nada disso foi enfrentado de modo convincente na literatura alemã, que, quando tocou no assunto, em geral recorreu a uma estilização estéril ou a uma retórica sentimental e religiosa que acabaram por esvaziar a tragédia. 
Em Guerra Aérea e Literatura, Sebald não se limita a traçar o diagnóstico dessa grave omissão, mas tenta entender seus motivos, que, ao que tudo indica, têm a ver com o recalque do trauma nazista, com os sentimentos de culpa e humilhação durante o período de frenética reconstrução material do país que ficara em ruínas depois da guerra. 
Completa o volume um estudo sobre o escritor alemão Alfred Andersch (1914-80), tomado por Sebald como caso exemplar do intelectual que teria se preocupado mais em reescrever o seu passado e retocar a sua imagem moral do que descrever o que de fato ocorreu durante o Terceiro Reich. (Companhia das Letras)

 Montanha Gelada, de Charles Frazier
Um jovem desertor ferido, uma lendária montanha na Carolina do Norte, um grande amor interrompido pela Guerra Civil americana. Eis os ingredientes fundamentais de Montanha Gelada, impressionante romance de estréia de Charles Frazier. 
Sua prosa límpida e poética nos conduz para dentro das vidas de Inman, o combatente sulista nauseado pelos horrores da guerra, e de Ada, civilizada garota da cidade que se vê obrigada a encarar as rudezas da vida em uma fazenda para sobreviver. 
O desertor Inman empreende uma verdadeira odisséia americana de retorno ao lar, atravessando uma paisagem de medo, miséria e desespero em busca do seu amor. Um livro forte, penetrante e meticulosamente construído, ganhador do National Book Award de 1997 (Companhia das Letras).

 Os Eleitos, de Alex Kershaw
No verão de 1940, as Forças Aéreas Britânicas protagonizaram uma das maiores batalhas da Segunda Guerra Mundial. Para defender a Grã-Bretanha de uma invasão nazista, foram convocados cerca de 3 mil pilotos. Majoritariamente formado por cidadãos das nações integrantes do antigo Império Britânico, o contingente também contou com pilotos de outros países, entre os quais os Estados Unidos. A história dos americanos que ignoraram a postura até então neutra dos EUA na Segunda Guerra e decidiram lutar contra os exércitos de Adolf Hitler é agora contada em Os eleitos, de Alex Kershaw.
O autor remonta a trajetória de sete americanos, que fizeram parte de diferentes esquadrões aéreos, e atuaram na batalha. Determinados a lutar pela paz, eles tiveram de enfrentar não só as forças nazistas, mas também ameaças de seu próprio país como prisão, grandes multas e perda de cidadania por terem infringido as leis de neutralidade.
Através de uma pesquisa meticulosa, o autor reconstitui a vida desses pilotos que se arriscaram a bordo de Spitfires nos céus britânicos durante os quatro meses da Batalha Britânica. Kershaw revela ainda informações inéditas como o fato de Billy Fiske, um dos pilotos a participar do episódio, ter sido o primeiro americano a morrer na Segunda Guerra Mundial, muito antes do bombardeio em Pearl Harbor. 
Cinco anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, apenas um dos sete bravos americanos ainda estava vivo.  Desconhecida ainda por muitos americanos, a história de Os eleitos vai comover a todos que gostam de verdadeiros heróis. (Editora Record)

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