quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Os justiceiros (Stephen King como Richard Bachman)

Diante do sólido sucesso alcançado pelas obras de Stephen King, é difícil pensar que ele teria a peculiaridade de escrever sobre um pseudônimo desconhecido. Não me entendam mal, é claro que ninguém aqui está reclamando pelo fato do autor mais prolixo da atualidade continuar produzindo seus escritos sobre uma outra alcunha. Até porque,  não se cobra coerência de um artista como King. Para entender essa 'manobra', só mesmo conhecendo alguma obra desse seu 'projeto paralelo'.
No caso, eu matei a minha curiosidade com a leitura de 'Os justiceiros' (Suma de Letras, 350 páginas), em que Stephen King assina como Richard Bachman. O alter-ego de King é conhecido por escrever histórias cujo sobrenatural é pouco ou quase nulo, focando essencialmente nos personagens que vivem dramas que poderiam ocorrer com qualquer pessoa. Stephen King utiliza a personalidade de Bachman com duas intenções: Descobrir se as suas vendagens eram pelo seu talento como escritor, ou apenas pela fama de seu nome. E também poder publicar mais livros, uma vez que era comercialmente nocivo ficar inflando o mercado com vários livros de um mesmo autor em um único ano.

Em 'Os justiceiros' somos colocados no meio de uma rua bem específica de uma cidade pacata no coração do estado de Ohio. Após sermos apresentados cuidadosamente a rotina de seus moradores e as diferentes relações entre vizinhos, começamos a encarar uma tarde quente de verão que vai mudar o cotidiano de Poplar Street.
Embora o excesso de personagens relacionados nas primeiras páginas possa causar uma certa confusão messe início de leitura, logo o elenco começa a diminuir consideravelmente com mortes assustadoras ligadas a um estranho furgão vermelho que desce a ladeira da rua 'justificando' seus habitantes. Sem dar tempo de nos ligarmos emocionalmente a qualquer personagem, e nem mesmo identificarmos um pretensioso protagonista em meio a narrativa, as mortes começam a acontecer em cadeia e sem qualquer explicação aparente, fervendo a cabeça do leitor ao tentar calcular algum denominador comum em meio a essa aparente carnificina.
Durante um longo tempo essa premissa acaba deixando a história um tanto cansativa e até frustrante para aqueles fãs mais xiitas de Stephen King que estão acostumados com descrições mais profundas que caracterizam o trabalho mais conhecido desse autor.

Perto do fim o livro consegue dar uma reviravolta que revitaliza não apenas o seu roteiro em si, como também renova o interesse do leitor, que a esta altura já consegue encontrar um rumo na trama quando ela se foca no menino autista Seth, e em sua tia Audrey. e principalmente na ligação entre eles.
Apesar de não conduzir muito bem o seu enredo, 'Os justiceiros' consegue salvar-se com um final surpreendente e emocionante. E talvez o único momento da obra em que podemos realmente identificar traços que traduzem a escrita de Stephen King, com um final corajosamente marcante.

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