quarta-feira, 16 de março de 2016

A Maldição do Cinema: A Bruxa

A Bruxa (The Witch: A New England Folktale)
Diretor: Robert Eggers
Roteiro: Robert Eggers
Atores: Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Scrimshaw
País: EUA, Reino Unido, Canadá, Brasil
Ano: 2015
           
Após divergências diante de uma rígida postura religiosa, William, Katherine e seus quatro filhos são expulsos do vilarejo onde moravam. Num lugar ermo, tendo como vizinha uma floresta, tentam reerguer suas vidas. A partir daí, passam a ser surpreendidos.
A Bruxa é a união perfeita de fotografia, roteiro, direção, atuação, trilha sonora e qualquer outro termo técnico que possa ter esquecido de citar. Assisti-lo é como ler um maravilhoso livro de terror. E quantos são os filmes que causam tal sensação? Não muitos.
Não existem facilidades técnicas a fim de aliviar a tensão, encurtar um possível trabalho ou, de alguma forma, coloca-lo num caminho mais acessível. Pelo contrário, adentrar em seu universo é uma perturbadora viagem sem volta. Tais decisões certamente são fruto de muito estudo e competência.
Cenas longas e fade outs gigantescos (se comparado à maioria das produções atuais) dão o que nós, espectadores, precisamos. Tempo para digerir e consequentemente adentrarmos de forma mais profunda na história e suas questões levantadas.
Estamos diante da realidade proposta: Crua e ao mesmo tempo sutil, impressionando como o cuidado com o simples pode te deixar alguns dias perturbado. Ele passa por inúmeros momentos em que poderia cair no lugar comum, porém sequer olha para tal, fazendo com que estereótipos sejam lembrados por sua total ausência. Mais do que perturbador, usaria a palavra maestria para este filme.
Cada frame da obra poderia se transformar num quadro, devido ao cuidado estético. Assim como sua trilha sonora, uma obra prima composta por Mark Korven, que usa como elementos de composição alguns sons que até então você acreditava fazer parte de determinadas cenas, além das muito sutis conexões entre os mesmos e alguns elementos da cena, como, por exemplo, os animais. E por falar em imagens, dentre tantas sequências impactantes, uma merece especial atenção: A partir do momento da brincadeira entre a irmã mais velha e o mais novo até o momento em que a lua aparece é mais uma daquelas que, aos meus olhos, eternamente será lembrada como uma dentre as tantas representantes do gênero.
O silêncio pode ser uma arma poderosa quando bem usado. Vide os excelentes Les 7 Jours Du Talion e Alien, o Oitavo Passageiro, este que é dono da inesquecível chamada: No espaço ninguém pode ouvir você gritar. Porém, longe de qualquer comparação, não me lembro da última vez que o silêncio numa obra tenha sido tão perturbador e ao mesmo tempo uma peça chave.

As questões levantadas na obra, sejam explícitas ou metafóricas, são todas muito intensas e sérias. Assim como os diálogos. Transitando entre a paranoia e aquilo que não sabemos explicar, somos apresentados a um condicionamento cego que resulta em tensão cada vez que uma pergunta que obriga o interlocutor a pensar a ele é apresentada. A pulsação constante da angústia e tensão diante de um louvor cego e perdido escorre por todos os lados. E tal desespero ao se ver apegado à uma doutrina que não lhe dá respostas acaba encobrindo a visão para as próprias ações. E todo esse descontrole religioso é ramificado por relações envolvendo tensão, hipocrisia, desespero e tristeza. Desde ao auto controle necessário para suportar o momento até a angústia nascida de onde menos se espera. Tudo perfeitamente conduzido por atuações impressionantes, com destaque para o jovem Harvey Scrimshaw, que dá vida ao jovem Caleb.
Porém trata-se de um filme extremamente difícil para preguiçosos mentais e desprovidos de boas referências literárias e cinematográficas, assim como os de estômago fraco, facilmente impressionáveis e fanáticos religiosos (em especial os cristãos), estes que não serão capazes de lidar com tantas questões. Ou sim, se fingirem que se trata de uma bobagem e nsada mais. Se você também espera por algo semelhante ao remake de O Massacre da Serra Elétrica, não assista.
A Bruxa é um clássico do terror que merece todos os aplausos, elogios e prêmios.
E qual o pensamento que tirei sobre?
Esperei toda uma vida para assistir um filme sobre bruxas como este. Irretocável e perfeito. Preste atenção nos últimos dizerem ao término do filme. São de suma importância. Bem, para mim foi. E sua trilha sonora está tocando ininterruptamente em minha casa.
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