quarta-feira, 11 de maio de 2016

A Maldição do Cinema - Thelma e Louise

Thelma & Louise (Thelma & Louise)
Diretor: Ridley Scott
Roteiro: Callie Khouri
País: EUA/França
Atores: Susan Sarandon, Geena Davis, Harvey Keitel, Brad Pitt
Ano: 1991

Thelma e Louise é um daqueles filmes que precisamos rever de tempos em tempos, pois nos coloca frente à nossa acomodação e demais demônios secretos, causando um imenso incômodo que nos obriga a dar um próximo passo. Assisti-lo é estar diante de perguntas: Você está feliz com as escolhas que fez? Está segurando as rédeas de sua vida ou simplesmente se apagando a fim de cumprir um papel? Quanto você viveu até o momento em que permaneceu “sobrevivendo”? O que você quer para você? Está feliz? Quem é você realmente?
A obra é aquele tapa na cara que amigo nenhum dará. A conversa com o espelho da qual sempre fugimos. O “acorda” para a vida, o momento da mudança brusca, a escolha das decisões e de que é preciso aprender com o que viveu para manter-se acordado ao invés de repetir erros ou se deixar viver guiado pelos traumas do passado. A retomada do controle da própria vida que não necessariamente precisa ser entendida pelo outro. Somos seres subjetivos, nosso caminho não pode ser definido pelo outro. A felicidade não está numa cartilha. Não precisamos reproduzir, casar ou qualquer outra coisa que foi imposta por uma condição social. Thelma e Louise é o soco no estômago, é a ligação entre você e seus sonhos desesperados esperando por seu trabalho duro para que se transformem em realidade. E mesmo que todos não se realizem, de uma forma ou outra você chegará onde quer, se não, a culpa é somente sua. Falo isso como homem. Acredito que para as mulheres, tal filme seja ainda mais visceral. Trata-se de um ícone feminino.

Louise é uma garçonete quarentona enquanto Thelma, uma doce e jovem dona de casa e esposa de um imbecil que a trata como lixo. Cansadas da vida que levavam, decidem viajar juntas. E o que era para ser um momento de tranquilidade resulta em confusão, transformando-as em fugitivas rumo ao México.
Daí em diante, uma sucessão de acontecimentos muito bem traçados, revelando cada vez mais as personalidades da dupla e as questões que as obrigam a tomar tais decisões. O resultado de toda uma aflição e nenhum apoio, tendo a amizade da outra como o melhor de suas vidas. O mundo machista e seu julgamento frio e irracional sobre duas mulheres é um dos pontos altos que permeiam a história, assim como o antagonista Hal, policial interpretado por Harvey Keitel, que tenta, de todas as maneiras possíveis, dar um fim naquela situação e coloca-las à salvo, por entender o que realmente está acontecendo.
Dirigido pelo consagrado Ridley Scott e acompanhado pela excelente trilha sonora composta por Hans Zimmer, Thelma e Louise é magnífico, imperdível e necessário na vida de qualquer pessoa que, em algum momento, se acomodou ou se perdeu durante o trajeto de sua vida.
Este ano a obra completa vinte e cinco e as atrizes deram uma entrevista para a revista Harper’s Bazaar sobre o filme e o que teria acontecido com suas personagens, caso vivessem nos dias atuais:
"Bem, Thelma com certeza não estaria mais com o marido dela. Se esperaria que ela encontrasse Brad [Pitt] de novo", disse Sarandon, referindo-se ao amante que Thelma encontra na estrada, vivido pelo ator.
"Talvez Louise tivesse se tornado lésbica. Isso seria fabuloso."
O filme é considerado um marco na abordagem de mulheres no cinema, mas para Davis, os últimos 25 anos não trouxeram muitas mudanças à questão.
"Um tema muito comum na imprensa foi, 'isso muda tudo. Agora haverão tantos filmes sobre amizade entre mulheres, tantas as action figures femininas. Isso reescreve tudo'", contou a atriz. "[Mas] não mudou. A resposta certa é que não mudou merda nenhuma."
Mulheres, em Hollywood, ainda enfrentam a desigualdade. Há a questão da disparidade salarial e do fato de atrizes serem consideradas "velhas" demais para alguns papéis, por exemplo.
Davis reconhece, entretanto, o movimento que tem tomado conta da "meca do entretenimento": o feminismo.
"O que me dá esperança agora são as jovens – Lena Dunham, Jennifer Lawrence – em Hollywood. Amo todas elas. Amo tudo o que elas estão fazendo; amo quão sinceras elas são."
"Acho que ninguém [naquela época, 1991] teria dito que não havia papéis o suficiente para mulheres, porque isso soaria como uma reclamação."
Sarandon também comentou o assunto.
"Acho que há uma safra de mulheres jovens que estão interessadas em se divertir e ter vidas, mas não estou necessariamente tentando agradar [a todos] o tempo todo – mesmo que elas sejam julgadas frequentemente", contou.
"As Melissa McCarthys, as Amy Poehlers, todas as garotas que estão criando trabalho, sendo engraçadas e independentes."
Thelma e Louise vivem.

E qual o pensamento que tirei sobre?
Assista, chore, se divirta e reflita.
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