sábado, 21 de maio de 2016

Matar Alguém (Roger Franchini)

Em meio a centenas de bons livros policiais estrangeiros que povoam a literatura, é sempre complicado encontrar alguma obra nacional que quebre esse alto escalão e ganhe notoriedade dentro do gênero ostentando o seu sotaque tupiniquim. Mesmo morando em um dos países mais violentos do planeta, portando crimes bizarros capazes de chocar toda a opinião pública mundial, ainda somos levados a voltar a nossa atenção para o glamour de detetives britânicos e Serial Killers americanos. E terminamos ignorando as possíveis histórias que por ventura ocorrem em nosso território.
Tentando quebrar esse paradigma, iniciei a leitura de Matar Alguém (Editora Planeta, 368 páginas), o primeiro livro de ficção escrito pelas mãos do escritor jornalístico Roger Franchini. Autor já conhecido por títulos anteriores que abordam alguns dos crimes mais famosos do Brasil nos últimos anos, como 'Toupeira – a história do assalto ao Banco Central' (2010, Ed. Planeta) e 'Richthofen – o assassinato dos pais de Suzane' (2011, Ed. Planeta).

Inspirado no surto de violência que a cidade de São Paulo sofreu em 2012, que resultou na morte de dezenas de policiais pelas mãos de uma facção criminosa, Roger Franchini utiliza sua experiência como ex-policial para trazer uma linguagem viva em sua escrita, e descrever um cenário totalmente crível onde três investigadores da polícia civil precisam utilizar todos os seus recursos para frear uma meticulosa matança de outros policiais, e descobrir qual a ligação existente entre esses assassinatos planejados.
Com diálogos rápidos e sarcásticos, o autor constrói o palco de uma trama insegura que pode ser facilmente confundida com a realidade dos seus livros jornalísticos.
Apesar da riqueza de detalhes da narrativa tornar o enredo lento no início, ela também ajuda a pintar a história com um tom cinza sujo, que lembra os filmes nacionais da década de oitenta. Apesar de apresentar um desenvolvimento tão elaborado quanto um Tropa de Elite, apresentando uma São Paulo imersa em um universo de corrupção, sexo, e desesperança.

Os personagens de Matar Alguém são figuras de um caráter dúbio tão forte, que fica impossível estabelecer uma ligação emocional, até mesmo com os protagonistas, que estão muito longe de possuir o perfil heroico e moral inexpugnável dos detetives que estamos acostumados. Sem necessariamente torcer para o êxito dos investigadores em si, logo nos vemos apenas agoniados em deslumbrar o final do caso,... Não por uma questão de 'busca de justiça', mas talvez por uma questão de 'curiosidade mórbida'.
Mesmo engasgando a leitura em certos capítulos, a obra cumpre o seu papel e entrega um bom policial com uma ficção que flerta fortemente com o real em um argumento produzido no formato de um roteiro bem executado que facilmente poderia estrar nas telas do cinema nacional.

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Comentários
1 Comentários

Um comentário :

  1. Oi, Fábio.
    Antigamente eu curtia mais esse tipo de livro, mas agora estou procurando livros mais leves.
    Vou anotar a dica porque acho que o Denis pode curtir!
    beijos
    Camis - Leitora Compulsiva

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O Dito pelo Maldito é um blog voltado para a literatura de contracultura . Seus textos são provocativos, críticos, cínicos e debochados, muitas vezes não tomando partido em uma questão apenas para poder agir como uma espécie de Advogado do Diabo do caso.
Na verdade um anti-blog criado para falar bem,...de tudo que você odeia.