quinta-feira, 18 de agosto de 2016

7 Livros envolventes sobre jornalismo

Nesse momento delicado em que passamos por uma abrupta turbulência política no país, muito se questiona sobre a participação da mídia nisso tudo, colocando severamente em check a imparcialidade de revistas e programas de rádio e televisão, mas pouco se fala sobre a verdadeira função do jornalismo perante a sociedade. Gerando um certo receio a respeito do caráter da futura geração de jornalistas que podemos vir a formar.
Grande parte do público costuma refutar certas notícias tendenciosas, com outras fontes ainda mais arbitrárias, tornando o assunto uma bola de neve de comentários raivosos nas redes sociais. Todos armados de links, vídeos e resenhas tão rasas quanto seus parcos conhecimentos sobre o tema. Mas, dificilmente nesse entrevero alguém cita um livro, com uma pesquisa séria realmente dedicada ao conteúdo.
Para lembrar de uma época em que o jornalista era tão heroico quanto detetives de romances policiais, correndo perigo atrás das notícias feito mocinho no encalço de bandidos, selecionamos aqui alguns títulos que ainda carregam o brilhantismo que essa profissão merece:

 Vale-tudo da Notícia (Nick Davies)
A notícia isolada de que um editor do jornal britânico News of the World invadia caixas postais de telefones atrás de recados que lhe rendessem furos sobre a realeza não seria tão aterradora se parasse por aí. 
O problema surgiu quando o repórter Nick Davies decidiu investigar a história mais a fundo e descobriu um lamaçal de crimes e corrupção que afetava boa parte da imprensa britânica, com ramificações no gabinete do primeiro-ministro e no alto escalão da Scotland Yard. 
Jornalistas usando prostitutas para colher segredos dos clientes, detetives grampeando linhas telefônicas nos postes e revirando o lixo de celebridades, funcionários de hospitais vazando prontuários médicos e editores chantageando políticos com intrigas sexuais. Cenas que mais parecem saídas de um filme, mas que, na verdade, eram práticas não só aceitas, como também estimuladas e premiadas, e que alimentavam uma poderosa rede de corruptores e corrompidos que chegou a influenciar até mesmo as leis britânicas. 
Exemplo inegável do bom jornalismo, Vale-tudo da notícia evidencia como o poder de manipular o acesso à informação é hoje - e talvez o seja desde que o mundo é mundo - uma das mais perigosas moedas da sociedade. 
O livro tem como foco um dos maiores escândalos da mídia mundial, que teve forte repercussão no Brasil. (Editora Intrínseca)

 Dias de Inferno na Síria (Klester Cavalcanti)
O jornalista Klester Cavalcanti saiu de São Paulo, em maio de 2012, com a missão de registrar a realidade da guerra civil na Síria, iniciada em março de 2011. Partiu para Beirute, no Líbano, com toda a documentação em ordem. Tinha o visto sírio, uma lista dos equipamentos que poderia portar, passaporte e um contato esperando-o na cidade de Homs, então epicentro do conflito entre as forças do ditador Bashar al-Assad e os rebeldes do Exército Livre da Síria. 
Seu plano era entrar em território sírio pela fronteira libanesa e acompanhar por alguns dias a ação dos rebeldes. Mas nada aconteceu como planejado. O jornalista foi preso pelas tropas oficiais, torturado e encarcerado por seis dias numa cela que dividia com mais de 20 detentos. 
Acostumado a denunciar violações dos Direitos Humanos no Brasil, o jornalista conseguiu fazer seu trabalho no ambiente inóspito da prisão. Naquele microcosmo, estavam os personagens e as histórias que precisava para retratar a guerra civil que acompanhava da cela, ouvindo os tiros e as explosões que vinham das ruas. 
O resultado é este Dias de Inferno na Síria, que apresenta o conflito sírio de uma perspectiva inédita, já que visto de dentro, ao mesmo tempo em que e as vítimas e os algozes da guerra ganham a dimensão humana que faz refletir sobre as diferenças religiosas, de raça e de poder que maltratam o mundo. (Editora Benvirá)

 Todos os Homens do Presidente (Carl Bernstein e Bob Woodward)
Este livro reconstitui a investigação feita pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein do caso Watergate, escândalo político que levou o presidente Richard Nixon à renúncia há exatos quarenta anos. Em linguagem eletrizante e cinematográfica, os dois repórteres contam como ajudaram a revelar uma poderosa rede de espionagem e sabotagem montada dentro da Casa Branca contra políticos do Partido Democrata.
Todos os Homens do Presidente obteve enorme sucesso de público e crítica quando foi lançado, em 1974, pouco antes de Nixon renunciar. Dois anos depois ganhou adaptação para o cinema, estrelada por Robert Redford e Dustin Hoffman. Hoje, é considerado um clássico do jornalismo e um marco histórico da liberdade de imprensa. (Editora Publifolha)

 Assassinato de Reputações: Um Crime de Estado (Claudio Tognolli)
Secretário nacional de Justiça no governo Lula, o advogado e delegado concursado da Polícia Civil de São Paulo faz aqui revelações surpreendentes, e está preparado para responder, com provas materiais, a quem tente desmenti-lo. O autor denuncia as pressões que recebeu para transformar informações sigilosas em instrumento eleitoral, desvenda a engenharia do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, e expõe o tentacular esquema de escutas telefônicas que não poupou sequer o Supremo Tribunal Federal. 
Resultado de dois anos de depoimentos ao jornalista Claudio Tognolli, o livro também traz detalhes impressionantes sobre a fábrica de dossiês para incriminar inimigos políticos do governo petista (como Marconi Perillo e Tasso Jereissati) e manchar a reputação de Ruth Cardoso; o cartel de trens em São Paulo; a conta do Mensalão nas ilhas Cayman, entre outros temas polêmicos. Como diz o jornalista Reinaldo Azevedo, quando se anuncia que o PT criou um estado policial (...) não se está a dizer nenhuma novidade. Nunca, no entanto, alguém que conhece por dentro a máquina do governo havia tido a coragem de vir a público para relatar em detalhes como funciona o esquema. Além de dois cadernos de fotos, com 16 páginas cada um, o livro traz uma série de documentos que comprovam os fatos narrados por Tuma Junior. (Topbooks)

 A Noite da Arma (David Carr)
Carr era famoso por sua coluna 'Media Equation', na qual escrevia sobre os “meios de comunicação e sua intersecção com os negócios, a cultura e o governo”, descreveu a publicação em um obituário. O colunista lutou durante boa parte de sua vida contra a dependência de cocaína e álcool, vícios que superou e serviram de inspiração para o livro autobiográfico 'A Noite da Arma'.
Baseado em 60 entrevistas gravadas, registros médicos e jurídicos e 3 anos de reportagem investigativa, este livro é um relato lancinante de um repórter que usa as ferramentas do jornalismo para checar os fatos de seu próprio passado. 
A pesquisa de David Carr sobre seus anos como viciado em drogas revela que a odisseia que percorreu até a recuperação, passando pelo câncer e pelos desafios de ser um pai solteiro, foi muito mais pesada - e, no fim, mais miraculosa - do que ele se permitia lembrar (Editora Record).

 Narcoditadura (Percival de Souza)
O jornalista Tim Lopes foi sequestrado, torturado, morto e seu corpo queimado por traficantes quando fazia uma reportagem investigativa sobre o tráfico de drogas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em 2002. Este crime, de grande repercussão na imprensa falada e escrita, ganhou especial destaque em jornais, revistas, sites e, também, no rádio, não só no Brasil como também em outros países.
Depois de pouco mais de uma década, a história de Tim Lopes, narrada pelo também jornalista Percival de Souza no livro Narcoditadura, permanece atual uma vez que pouca coisa mudou no cenário catastrófico e dramático em que se encontra a segurança no Brasil.
O autor, com a maestria e a competência que caracterizam seu trabalho de mais de três décadas na área do jornalismo investigativo, não se limita a apresentar a realidade nua e crua. Ele transcende usando recursos narrativos e estilísticos que enriquecem a trama, emocionam o leitor e provocam indignação e reflexão. (Editora Planeta)

 Os Imperfeccionistas (Tom Rachman)
Neste romance de estreia, Tom Rachman retrata um grupo de personagens que trabalham num jornal de língua inglesa em Roma. Os capítulos leem-se como se de contos se tratassem, entrecruzando o dia a dia dos homens e das mulheres que dão vida àquele jornal. À medida que a era digital se sobrepõe à imprensa tradicional deixando as personagens num futuro incerto, a história do jornal é revelada… incluindo a surpreendente verdade por trás das intenções do seu fundador. 
Tom Rachman nasceu em Londres e cresceu em Vancouver, no Canadá. Formou-se na Universidade de Toronto e na Faculdade de Jornalismo da Universidade de Columbia. Foi correspondente em Roma da Associated Press e trabalhou como editor do International Herald Tribune, em Paris, entre 2006 e 2008. (Editora Record)

Conhece mais algum livro sobre jornalismo que merece estar nessa lista?! Conte as suas sugestões em nosso espaço de comentários abaixo!

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