segunda-feira, 17 de outubro de 2016

5 Quadrinhos nacionais para corações sombrios

Apesar dos quadrinhos serem geralmente associados a super-heróis ou histórias infantis, mas é sempre importante lembrar que o papel aceita qualquer coisa, o que torna essa mídia capaz de explorar enredos limitados apenas pela criatividade de seu autor. E temas ligados a qualquer ponto mais obscuro da natureza humana, também sempre funcionaram muito bem neste formato. A junção de texto e imagem normalmente criam um imediatismo nas histórias, que não se encontra facilmente em livros.
E como heróis brasileiros sempre foi algo difícil de se encontrar no consciente popular, parece que os quadrinistas nacionais encontraram um caminho mais tranquilo para trabalhar com argumentos pesados e tramas sombrias, gerando grandes projetos editoriais, ou independentes, nesta área. Em vez daquela eterna chama de esperança característica que explode em cores nas HQs gringas, parece que nossos artistas escolheram pintar suas páginas com tons desalumiados. E até agora parece que a iniciativa tem funcionado muito bem.
Abaixo escolhemos alguns quadrinhos nacionais ideais para leitores mais sombrios, que preferem encarar o universo underground das HQs:

✔ O Rei Amarelo em Quadrinhos (vários autores)
A redescoberta da obra de Robert W. Chambers, autor dos contos sobre a peça de teatro maldita O Rei Amarelo, inspirou essa coletânea com oito histórias em quadrinhos cheias do mais doentio horror em preto, branco e amarelo.
São 164 páginas macabras inspiradas pela leitura do livro amaldiçoado, visões amareladas que forçaram os artistas a realizar histórias originais que destruíssem tudo à sua volta, até eles mesmos.
A organização do álbum enlouqueceu Raphael Fernandes, que aprisionou um time de quadrinistas formado por Pedro Pedrada, Tiago P. Zanetic, LuCAS Chewie, Mauricio R. B. Campos, Péricles Ianuch, Airton Marinho, Marcos Caldas, Erik Avilez, André Freitas, Tiago Rech, Victor Freundt, Rafael Levi, Samuel Bono e Raphael Salimena. Todos enclausurados por uma sinistra capa de João Pirolla.
O Rei Amarelo em Quadrinhos é o terror na sua forma mais bruta, trazendo imagens cativantes e perturbadoras interpretações para a busca por Carcosa. Mas, acima de tudo, é um mergulho em um poço ocre onde a esperança de emergir para a realidade não passa de um sonho em duas cores. (Editora Draco)

✔ Lobisomem Sem Barba (Wagner Willian)
Imagine um livro no qual cada capítulo é um miniconto completo, e esses contos, sobrepostos, se tornam uma narrativa maior, complexa, formando um épico pós- moderno urbano e underground. Agora pense que esses capítulos são como entradas em um blog e que partes da narrativa são interações com a seção de comentários. Para completar, ilustre ricamente essa obra com desenhos, quadros, fotografias, muitas vezes tudo junto, em intercâmbios artísticos que fazem parte da narrativa. Pronto, você consegue visualizar o que é Lobisomem sem barba, trabalho de estreia do escritor e artista plástico Wagner Willian, uma ficção de mais de 300 páginas sobre a vida moderna, repleto de referências a cultura pop, popular e erudita. O Lobisomem sem barba é antes de um personagem, uma realidade em excesso e metalinguagem sobrenatural, como se a cada passada de página alisássemos o couro de um animal selvagem. Na trama, dividida em duas partes, caímos nas graças de uma escritora e seus afetos, e na desgraça de um pintor e suas crises. Um trabalho soberbo, com personagens fortes, muito bem definido por Xico Sá em sua apresentação: “W.W. e o seu duplo, escritor-ilustrador, nos deixa de presente um imberbe herói moderno em sintonia com os feios, sujos e malvados” (Editora Balão)

✔ Apagão-Cidade sem Lei/Luz (Raphael Fernandes)
Caos e violência são a rotina em uma São Paulo devastada por um blecaute que parece não ter fim. As ruas da cidade viraram um verdadeiro campo de batalha onde gangues de arruaceiros se enfrentam por território e recursos. Nesse mundo a única forma de comunicação é a força bruta!
No meio desse inferno, um grupo de jovens tenta melhorar as coisas e transformar a destruição em uma chance de reconstruir a sociedade. Eles são os Macacos Urbanos, liderados pelo mestre de capoeira Apoema. Sem eles, esta verdadeira selva de pedra será o túmulo para pessoas como o blogueiro Dori e sua irmã Bia. Para piorar, os irmãos se metem com uma seita fanática cujos seguidores estão consumidos pelo ódio e o medo. Mas seria o encontro dessas pessoas mera coincidência? Ou estaria o destino unindo aqueles que podem trazer a esperança para vencer essa crise sem precedentes?
Apagão: Cidade Sem Lei/Luz é o primeiro álbum de um universo de histórias que envolve RPG, quadrinhos, música e muito mais. Tendo começado como um projeto de financiamento coletivo, teve sua primeira publicação no gibi Apagão Extra: Ligação Direta . O roteiro cheio de subversão e referências à cultura pop é de Raphael Fernandes (Ditadura no Ar) e a arte ágil e realista é de Camaleão (MAD). Junte-se aos Macacos Urbanos e explore sem medo essa terrível cidade sem lei e sem luz. (Editora Draco)

✔ O Despertar de Cthulhu (vários autores)
A cultuada obra de H. P. Lovecraft é a principal inspiração dessa coletânea com oito HQs que transportarão a imaginação para o lado mais obscuro da mente humana, um horror cósmico em preto, branco e verde.
São 168 páginas desesperadoras onde criaturas tão antigas quanto o universo são capazes de corromper a alma humana apenas com sua presença. Onde a doença, a loucura e a perversão são pano de fundo para histórias que vão testar os limites de sua sanidade.
A organização do álbum envolveu Raphael Fernandes (O Rei Amarelo em quadrinhos ), que maculou a alma do time de quadrinistas formado por Antonio Tadeu, LuCas Chewie, Dudu Torres, Airton Marinho, Fabrício Bohrer, Caiuã Araújo, Marcio de Castro, Daniel Bretas, Jun Sugiyama, Hilton P. Rocha, Samuel Bono, Lucas Pereira, Bárbara Garcia e Elias Aquino. Todos perdidos em uma enigmática capa de João Pirolla.
O despertar de Cthulhu em quadrinhos é o horror que não pode ser pronunciado, perca-se em imagens e histórias que não deveriam ter sido concebidas. Agora não há mais volta para os envolvidos pelos tentáculos do desespero, é hora de acordar para uma realidade decadente e tingida em apenas duas cores. (Editora Draco)

✔ Tungstênio (Marcello Quintanilha)
Considerado o grande cronista dos quadrinhos brasileiros, Marcello Quintanilha conquistou público e crítica com suas histórias sobre jogadores de futebol, motoristas de lotação e jovens apaixonados do subúrbio carioca. 
Em Tungstênio, sua primeira graphic novel, que a Veneta lança neste mês, Quintanilha desloca seu olhar para Salvador e acrescenta à sua galeria de grandes personagens do cotidiano brasileiro policiais, traficantes e moças de coração partido. Sem deixar o lirismo de lado, o autor investe uma boa dose de suspense e ação neste trabalho vibrante e surpreendente.
Seus álbuns têm recebido todos os tipos de prêmios, têm sido publicados na Europa e seus desenhos enfeitam as páginas de publicações tão diversas quanto a revista Vogue e o jornal espanhol El País. Tungstênio é talvez seu trabalho mais ambicioso. Sua primeira história longa. Que junta seu conhecido talento como observador do cotidiano nacional com um suspense e um ritmo vertiginoso de um thriller. (Editora Veneta)


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Comentários
3 Comentários

3 comentários :

  1. Não conhecia esse gênero de quadrinhos nacionais, gostei muito das dicas e fiquei super curiosa por alguns dessa lista. Abraço

    ritinhaangel.com.br

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  2. Esse Tungstênio parece bem bom. Gostei!

    Bjks

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  3. Não sou tão de quadrinhos assim, mas vou mostrar para o Denis e ver se ele se empolga em ler algum!
    Beijos
    Camis - Leitora Compulsiva

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