qui, 10 de outubro de 2013

Reflexões
de um Liquidificador
Diretor:
André Klotzel Roteiro: José Antônio de Souza
Ano: 2010
País: Brasil
Atores: Marcos Cesana,
Germano Haiut, Ana Lúcia Torre

Esperava
qualquer coisa deste filme, menos o que ele é. E isso é excelente!

Reflexões
de um Liquidificador apresenta a vida do casal de idosos Onofre e Elvira,
moradores do subúrbio paulistano que, devido às dificuldades do dia a dia,
fecham o bar onde trabalharam por bastante tempo. Na falta de trabalho e
dinheiro, Onofre passa a trabalhar como vigia noturno enquanto Elvira passa
maior parte do tempo sozinha em casa, arrumando as coisas e solitariamente
vivendo para o marido. Estaria totalmente sozinha se não fosse pelas visitas de
uma jovem e safada vizinha e um carteiro que, sempre que pode, toma uma
vitamina feita pela idosa.

Após
quebrar a perna enquanto ia ao quintal e obrigada a permanecer sem andar por
uns bons dias, Elvira retoma um passatempo há muito esquecido: Taxidermia. Que
nada mais é que a arte de empalhar, ofício de seu pai, o qual aprendeu ainda
garota.

E
em meio a esses dia-a-dia solitários e de espera constante, uma narração
bastante incomum. Os pensamentos de um liquidificador. Vida, comportamento
humano, liberdade e tudo mais que presenciou desde o início de sua existência
até quando, solitário, em cima da geladeira de Elvira.
Excesso
de solidão ou não, chega um momento em que refletir somente não parece mais
sacia-lo e, por isso, começa a conversar com a idosa que, como a maioria,
acredita estar caduca. Afinal, não são espíritos nem nada do gênero, mas sim um
liquidificador. E tal ato está longe de ser sinônimo de lucidez. E do susto
inicial, os dois caminham para uma enorme cumplicidade.
Daí
em diante, o filme que mais parecia um drama sobre solidão muda bruscamente,
transformando-se numa história de humor negro guiada por uma excelente trilha
sonora.

Resquícios
de uma pornochanchada esquecida permeiam os diálogos do estranho investigador e
as ações da vizinha de Elvira, o “excesso de trabalho” do marido e a cumplicidade
crescente entre Elvira e o liquidificador em meio aos curiosos e mórbidos
detalhes que contribuem para a história transformam Reflexões de um Liquidificador num simples e
eficiente filme, como uma excelente adaptação de um conto com doses
equilibradas de humor negro e seriedade, além da excelente atuação de Ana Lúcia
Torre. Para quem ainda gosta de bater o pé e dizer que o cinema brasileiro é
somente putaria, violência ou nordeste… (Sim, muitos ainda acham isso) fica
este como dica.

Obs:
A “voz” do objeto é um tanto quanto conhecida.
E
qual o pensamento que tirei sobre?
Quando
você menos espera, é surpreendido.

Em 2011 concorreu ao prêmio Contigo Cinema, nas categorias Melhor Atriz e Melhor Roteiro.
Você assiste o filme completo no vídeo abaixo:

sex, 07 de abril de 2017

O Dito pelo Maldito é um blog com o seu conteúdo focado em todos os gêneros da contracultura pop, apresentando artigos que abordam esferas do cinema, quadrinhos, jogos de tabuleiro, RPG e principalmente da literatura. Há mais de 5 anos no ar, o blog reúne um vasto acervo de textos autorais que passeiam entre contos e crônicas, além de promover a divulgação da literatura através de resenhas literárias, sorteios de livros, dicas de leitura e outras atividades culturais.

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qui, 12 de dezembro de 2013

A Última Profecia (The Mothman Prophecies)
País: EUA
Ano: 2002
Diretor: Mark Pellington
Roteiro: Richard Hatem (Baseado no livro de John A. Keel)
Atores: Richard Gere (Uma Linda Mulher, Chicago), Laura Linney (O
Exorcismo de Emily Rose), David Eigenberg

Durante
treze meses na cidade de Point Pleasant, Virginia Ocidental, no final dos anos
sessenta, ocorreu uma série de estranhos e bizarros fatos. Criaturas
semelhantes a aves ou grandes mariposas eram vistas. Pessoas dotadas de vozes
estranhas batiam à porta das casas e se apresentavam como Indrid Cold. A
população da pequena cidade não sabia o que pensar. Logo após, o desabamento de
uma ponte às vésperas do natal, resultando na morte de 36 pessoas. O que quer
que tenha sido, após o ocorrido, jamais voltou a se manifestar naquela cidade.
A Última Profecia, baseado em acontecimentos reais e no livro The
Mothman Prophecies
(As Profecias do Homem Mariposa) de John A. Keel, nos
apresenta o casal John e Mary que, felizes após a compra de uma nova casa,
sofrem um acidente de carro. Ele sai praticamente ileso, enquanto Mary,
consequentemente, descobre ser portadora de um raro tumor e, dias depois, ainda
no hospital, falece. Ao lado de sua cama, inúmeros desenhos por ela feito. Em
todos, o protagonista é um ser escuro e dotado de olhos vermelhos.
Dois anos após o ocorrido, numa noite, John pega o carro e parte
rumo a mais uma viagem de trabalho. Durante o trajeto, seu carro para e ele vai
pedir ajuda na casa mais próxima, onde é recebido pela mira de uma arma
apontada por Gordon, que visivelmente preocupado, diz que aquela é a terceira
vez que aquele desconhecido bate à sua porta. Mas devido à intervenção da
policial da cidade, os ânimos se acalmam e, após retornar ao carro, descobre
ter percorrido 640 km em apenas uma hora, o que acabou levando-o ao outro lado
do país, deixando-o totalmente confuso. E, não sendo suficiente, depara-se com
desenhos iguais aos feitos por sua esposa, dias antes de morrer.
Daí em diante inicia-se uma estranha conexão entre o ceticismo do
jornalista e o sobrenatural. Apoiando-se em fatos incertos e longe de uma
concretude, vê, naquele caminho desconhecido, uma falsa chance de recuperar o
que perdeu. Principalmente quando sua conexão com aquele que se apresenta
Indrid Cold se intensifica.
A Última Profecia chama a atenção pela seriedade com que o
sobrenatural é apresentado. A maneira como John e Indrid se comunicam
potencializa o clima de tensão. As conversas são desprovidas de urros, excessos
e demais imbecilidades usadas à exaustão em inúmeros filmes do gênero. A
sutileza com que tudo é apresentado, o tempo entre um acontecimento e outro e
todos os detalhes que à frente preenchem ainda mais a história nos aproximam
dessa realidade que ninguém gostaria de vivenciar.    As aparições
de Indrid seguem igual caminho, acompanhados pelo tom certo do protagonista e
demais personagens, que sustentam por manter-se dentro de suas possibilidades,
não afundando em estereótipos e grandes mudanças de comportamento que não
seguem lógica alguma.
Neste trabalho, efeitos especiais e a ajuda dos computadores foram
deixados de lado. Tudo com qual nos deparamos foi criado através de efeitos
conseguidos unicamente com a câmera. Nada de CGI (Common Gateway Interface, ou
Imagens Geradas pelo Computador), dando maior veracidade. Não sou contra CGI e
toda essa parfernália, mas acho que, muitas vezes, o trabalho perde bastante
por preguiça. Um boneco, uma outra forma de construir o que se quer apresentar,
certamente será mas trabalhoso, mas o resultado, ímpar (Vide ET e Gremlins.
Ambos são limitados pela época e, particularmente, os acho perfeitos e
intocáveis).
Outro grande cuidado nesta obra é que tudo acontece às vésperas do
natal, mas em momento algum utilizam-se do excesso de sentimentalismo e outras
coisas relacionadas à data.

Para os apaixonados por trilhas sonoras, vale muito a pena
adquirir a trilha. Trata-se de um CD duplo. No primeiro, uma compilação de
algumas bandas (Atenção para a música tema do filme: Half-Life) que não deixam
nada a desejar para a soturna trilha instrumental composta por Tomandandy,
encontrada no segundo cd.
Em A Última Profecia, nos deparamos com a ideia principal de que o
sobrenatural encontra-se muito mais próximo que imaginamos, aproveitando-se dos
nossos maiores temores e nos colocando num círculo vicioso de perguntas e
respostas que, no fundo, sabemos que não existem e que o próximo passo é
necessário, por mais doloroso que seja.
Um filme sério, bem construído e indispensável para os amantes do
gênero. Talvez você não tenha medo do Indrid Cold. Eu tive.
Existem outros filmes que abordam a criatura, como o patético e
totalmente dispensável Mothman (Sheldon Wilson-2010), e o documentário Eyes of
a Mothman
(Matthew J. Pellowski-2011).
Pela internet é possível encontrar muitas informações sobre. Vale
a pena pesquisar.
Curiosidades:
-O rádio-relógio que aparece no quarto do motel onde John está mostra a hora 6:14. É uma referência bíblica a João, capítulo 6, versículo 14,
que diz: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo.
-O diretor, Mark Pellington, é o atendente do bar, além de fazer a
voz de Indrid Cold durante a ligação.
A Última Profecia ganhou três prêmios:
-Fangoria Chainsaw Awards 2003 – Melhor atriz (Laura Linney).
-Melhor Ator Coadjuvante (Will Patton).
-Motion Picture Sound Editors, USA, 2003 –
Melhor edição de som – Mark Jan Wlodarkiewicz.
Você confere o trailer do filme aqui… 

… E ouve a música tema Half-Life, no vídeo abaixo: